O Caminho da Salvação
O Caminho da Salvação

Por Luiz Carlos Prestes Filho
Exclusivo Catetear Notícias
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Como tantos outros, observo com uma mistura de fascínio e perplexidade o momento em que o robô passa a fabricar o próprio robô. Esse espanto, contudo, é apenas um reflexo da nossa herança primitiva. Afinal, já vivemos em uma dependência absoluta das máquinas: da cafeteira que nos desperta ao ônibus que nos transporta, passando pela geladeira, pelo relógio e pela onipresente internet. O que está mudando é que o robô humanoide chegará para consolidar todas essas funções em uma única presença.
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"O mundo, que sempre girou em torno do dinheiro e das fontes de energia como o petróleo e o gás, encontra agora uma consequência natural em seu desenvolvimento. Vejo nisso uma vitória para a segurança alimentar; esses novos seres "comerão" energia, o que significa que não precisaremos mais escalar a produção de carnes e sementes para sustentar uma força de trabalho biológica exaurida.” |

Claro que há um lado sombrio nessa sofisticação. Quem detiver a maior frota será o escravocrata moderno. A escravidão de máquinas na lavoura e nas fábricas já é a nossa realidade, mas agora ela ganha contornos mais refinados. Em breve, veremos robôs ocupando todos os espaços: teremos maridos e esposas silenciosos, faxineiras, políticos, poetas e cientistas sintéticos. A cultura também se transformará: imagino os próximos Carnavais, onde as escolas de samba cruzarão a Sapucaí com alas inteiras de robôs bailando em perfeita sincronia, enquanto os desfiles militares exibirão batalhões de soldados robôs, impecáveis e desprovidos de medo ou hesitação.
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"Nesse cenário, o ser humano poderá, finalmente, retornar ao seu estado original. Voltaremos para as florestas e cavernas, integrando-nos à vida selvagem e reaprendendo a língua dos animais. Vamos buscar a sabedoria das formigas, dos elefantes e das tartarugas. Essa regressão — ou melhor, essa reconexão — é a garantia de que o planeta Terra persistirá por milhões de anos. A civilização cruel que construímos precisa morrer com urgência; sem esse fim, o nosso destino seria o aniquilamento em uma guerra nuclear. Robô fabricando robô não é o fim, é a nossa salvação.” |
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Referência:
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Luiz Carlos Prestes Filho é Especialista em Economia da Cultura e coordenador do estudo pioneiro Cadeia Produtiva da Economia do Carnacal (2006-2010)



