Carta as Trabalhadoras e aos Trabalhadores da Cultura do Brasil

Carta as Trabalhadoras e aos Trabalhadores da Cultura do Brasil

Carta as Trabalhadoras e Trabalhadores da CULTURA do Brasil

Esta carta dirige-se àqueles que diariamente constroem, mantêm viva e fazem pulsar a arte e o patrimônio deste país: as trabalhadoras e os trabalhadores da CULTURA do Brasil.

Se hoje celebramos a existência do Ministério da CULTURA, é preciso deixar nítido quem é o verdadeiro sujeito dessa conquista. Os vitoriosos desta luta fomos nós, a classe trabalhadora da cultura, que resistimos ao sucateamento, ao desmonte e ao apagamento. A vitória não pertence a qualquer governante ou agremiação partidária; pertence a quem produz a arte brasileira contra todas as adversidades.

Para que essa vitória não seja passageira, precisamos avançar em pontos fundamentais para a soberania cultural e a dignidade da nossa categoria.

É urgente fortalecer nossos sindicatos, associações e cooperativas. A consolidação de direitos e a sustentabilidade do setor só ocorrem quando a classe trabalhadora está organizada de forma autônoma, capaz de pressionar o Estado, combater as assimetrias do mercado cultural e a Inteligência Artificial generativa.

Devemos debruçar sobre o estudo minucioso de todas as cadeias produtivas da cultura. É essencial identificar criticamente os elos fortes e fracos de cada atividade cultural capitalista - das artes cênicas à música, do audiovisual ao livro e à leitura. Somente entendendo onde o valor é gerado e onde ele é capturado poderemos construir políticas públicas efetivas de fomento e distribuição justa. Apontar que somente no regime socialista poderemos oferecer a todos artistas o reconhecimento.

Questionamos frontalmente a livre remessa de lucros das multinacionais da cultura que atuam no Brasil. Conglomerados estrangeiros exploram o mercado consumidor nacional, extraem recursos gerados pelo público e pelos criadores brasileiros e transferem divisas para o exterior, sem reinvestimento proporcional no ecossistema cultural local.

Não podemos aceitar a constante apropriação das obras de artistas brasileiros por corporações transnacionais. A riqueza simbólica e econômica produzida por nossas autoras e autores não deve servir ao enriquecimento exclusivo de catálogos estrangeiros.

Precisamos impedir que a legislação de direitos autorais seja modificada para favorecer grandes empresas culturais de outros países. Essa predação já é visível na atuação de grandes editoras musicais e de livros, que buscam transferir a titularidade e a remuneração do trabalho criativo para plataformas e conglomerados internacionais. A lei autoral brasileira deve servir de blindagem ao criador nacional, e não de facilitação para o capital financeiro global.

A cultura é a alma de um povo e o sustento de milhões de famílias. Seguiremos mobilizados, organizados e atentos na defesa dos nossos direitos e da nossa soberania.

A recente vitória nas eleições do campo democrático foi também de quem produz cultura no Brasil! Por tanto, os trabalhadores da CULTURA devem ser respeitados e valorizados.

Luiz Carlos Prestes Filho
Rio de Janeiro, 4 de novembro de 2026

Luiz Carlos Prestes Filho é diretor de cinema formado na União Soviética; jornslista, poeta e compositor. Autor dos livros: "Economia da Cultura, a força da indústria cultural do Rio de Janeiro" (2002); "Cadeia Produtiva da Economia da Música" (2005); e "Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval" (2010)