A Força que vem do Território

A Força que vem do Território

A proposta do livro é intergrar culturas, vocações e desafios econômicos

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Por Luiz Carlos Prestes Filho

O Brasil é um mosaico vivo de culturas, vocações e desafios econômicos regionais. Do Polo de Confecções no Agreste pernambucano à indústria automotiva no Sul Fluminense, o dinamismo do país não cabe em receitas genéricas elaboradas a quilômetros de distância na Europa, Corea do Sul ou EUA. Para florescer mais e mais, o desenvolvimento nacional exige políticas públicas e estratégias privadas desenhadas estritamente a partir da identidade e das demandas reais de cada localidade. Essa visão ganha coro no livro organizado por Renato Regazzi e Robson Carneiro: "Desenvolvimento Local, Redes Colaborativas e os Clusters". Obra que reúne autores com textos inteligentes e propostas atuais sobre associativismo e inovação. A mensagem central articulada pelos organizadores é clara: o futuro das cidades passa pela transformação de empresas isoladas em ecossistemas integrados de cooperação. Na prática, as Associações Comerciais e Federações das Industrias enfrentam hoje o desafio de aceitarem as mudanças que vieram com a revolução digital. Em vez de atuarem apenas como entidades de representação, precisam assumir o papel de hubs ativos de novos negócios.

"Para transformar as Associações Comerciais em hubs de inovação e novos negócios, é fundamental descentralizar sua atuação e aproximá-la da base, indo aos bairros e aos diferentes setores econômicos, ao mesmo tempo ampliar a pauta tradicional de representação", defende Maurício Cabral.”

Diante do avanço avassalador do comércio eletrônico global, a resposta local não reside no isolamento, mas na inteligência territorial e na união do ecossistema de negócios. A criação de um sentimento de pertencimento e o uso estratégico de ativos culturais e econômicos locais surgem como escudos competitivos para os pequenos empreendedores.

"O associativismo e as iniciativas colaborativas são instrumentos fundamentais para o fortalecimento do comércio regional. O desenvolvimento do sentimento de pertencimento à comunidade pode incentivar a população a priorizar os estabelecimentos da própria cidade, valorizando negócios que fazem parte da identidade e da dinâmica econômica do território", destaca Paulo Vitor Nalin.”

Exemplos bem-sucedidos de marketing territorial demonstram como essa integração fortalece a economia local, através da adocão de moedas sociais. Experiências como a moeda Mumbuca, em Maricá (RJ), garantem que os recursos circulem prioritariamente no comércio do próprio município. Os clusters regionalizados são hoje os polos industriais e têxteis organizados, que aproveitam competências específicas da região para gerar ganhos de escala e eficiência. A cooperação na prática na realização de compras coletivas e parcerias em rede reduzem custos operacionais e aumentam a competitividade dos pequenos negócios. Superar o individualismo comercial e construir uma governança verdadeiramente compartilhada exige enxergar o associativismo como uma infraestrutura viva de soluções. Ao ler o livro confirmamos que o Brasil sabe valorizar a voz, a vocação e a identidade de cada um de seus territórios. Mas precisamos avançar. Os exemplos citados em suas páginas demonstram que a inovação não  é um privilégio isolado. Cada vez mais seus líderes publicos e privados demonstram que essa e a regra de nosso desenvolvimento.

Lançamento do livro "Desenvolvimento Local e Redes Colaborativas"

Grupo Zit Editorial - Tinta Negra

31.08.2026 - 19 horas

LIVRARIA DA TRAVESSA IPANEMA

Rua Visconde de Pirajá 572

Luiz Carlos Prestes Filho é Especialista em Economia da Cultura e em Desenvolvimento Econômico Local; é autor dos livros "Economia da Cultura - a força da indústria cultural do Rio de Janeiro", "Cadeia Produtiva da Economia da Música" e "Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval"