Marina do MST: "É necessário descentralizar a ocupação territorial"

Marina do MST: "É necessário descentralizar a ocupação territorial"

Marina do MST: "É necessário descentralizar a ocupação territorial"

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Entrevista Marina do MST

Por Luiz Carlos Prestes Filho

Exclusivo Catetear Notícias


Em entrevista abrangente concedida ao Catetear Notícias, a deputada estadual e liderança camponesa Marina do MST apresenta um diagnóstico sobre as especificidades do campo no Estado do Rio de Janeiro, reafirmando a centralidade da reforma agrária e da agricultura familiar no combate às desigualdades territoriais e na garantia da soberania alimentar do povo fluminense. Diferente de outras unidades da federação marcadas pela pujança do agronegócio voltado à exportação e à monocultura em larga escala, o Estado do Rio de Janeiro possui uma realidade rurbana singular. No território fluminense, o agronegócio de grandes extensões não se aplica como modelo de desenvolvimento sustentável; pelo contrário, é a agricultura familiar que assume papel estritamente estruturante para a economia local, o abastecimento dos centros urbanos e a preservação ambiental. A ampliação da reforma agrária no estado surge, portanto, como uma medida socioeconômica urgente. A criação de novos assentamentos rurais é apontada por Marina como um vetor estratégico para descentralizar a ocupação territorial, gerando trabalho, renda e dignidade no interior. Esse processo é indispensável para conter a progressiva e insustentável concentração populacional nos grandes municípios e na Região Metropolitana, aliviando pressões históricas sobre a infraestrutura urbana e os serviços públicos. O valor simbólico e produtivo dessa transformação é exemplificado pela conquista do Assentamento Cícero Guedes, em Campos dos Goytacazes. As terras da antiga Usina Cambahyba - espaço que no período da ditadura militar serviu à violência e à destruição de opositores políticos - transformaram-se em um polo produtivo de alimentos saudáveis e agroecológicos, provando que a reforma agrária ressignifica memórias históricas ao mesmo tempo em que garante comida na mesa da população. A trajetória de Marina do MST reafirma a eficácia de uma atuação política integrada, que articula com coerência as lutas sociais de base com a formulação de políticas públicas no Poder Legislativo. Filha de trabalhadores boias-frias, com vivência na roça, nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e formação em Serviço Social, Marina consolidou uma liderança popular fundamentada na escuta e na defesa firme dos direitos dos trabalhadores do campo e das periferias. Fora do parlamento, sua atuação destaca-se na resistência à especulação imobiliária e na defesa dos territórios tradicionais - como na Costa Verde, em aliança com comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas -, além do combate ostensivo à fome através do fortalecimento de cozinhas solidárias e redes agroecológicas. Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), onde preside a Comissão de Segurança Alimentar, essa trajetória traduziu-se em conquistas legislativas de grande alcance: a aprovação da Política de Valorização da Mulher no Campo (Lei 10.070/2023); leis pioneiras no combate ao trabalho análogo à escravidão, garantindo acolhimento, cadastro estadual e reinserção no mercado de trabalho (Leis 10.575/2024, 10.883/2025 e 10.950/2025); além do incentivo à agroecologia e às Cozinhas Solidárias Emergenciais diante de eventos climáticos (Leis 10.789/2025 e 10.925/2025).

Marina do MST no centro da foto

"A entrevista evidencia que a trajetória de Marina do MST combina rigor ideológico e capacidade pragmática de construção institucional, demonstrando que a reforma agrária, a agricultura familiar e a soberania alimentar são pilares indispensáveis para a construção de um projeto popular e sustentável para o Estado do Rio de Janeiro.”

Luiz Carlos Prestes Filho: Sendo filha de trabalhadores boias-frias oriundos de Barbacena (MG) e tendo crescido no interior do Paraná, como a vivência da sua mãe e do seu pai na lida do campo influenciou o despertar da sua consciência de classe e a decisão de dedicar sua vida à causa camponesa?

Marina do MST: Eu nasci e cresci vendo de perto a dureza da vida no campo. Meus pais eram trabalhadores boias-frias, vindos de Barbacena, em Minas Gerais, e eu cresci no interior do Paraná, em uma família camponesa. A gente vivia do trabalho e conhecia bem as desigualdades que marcam o campo brasileiro: de um lado, quem trabalha a terra; de outro, quem concentra a propriedade e a riqueza. A minha consciência de classe nasceu dessa experiência.

O líder do MST, João Pedro Stedile e Marina

"Quando conheci o MST, encontrei uma organização que dava sentido coletivo àquilo que eu já vivia e sentia. Entendi que a luta da minha família não era isolada e decidi que aquele seria o meu lugar. Desde então, dedico minha vida à luta pela terra, pela reforma agrária e pela dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras do campo.”

Prestes Filho: Como o exemplo dos seus pais e a sua trajetória pessoal - que passa pelo trabalho na roça, pela vivência comunitária (CEBs) e inclusive pelo período em que foi freira e parteira - moldaram o seu perfil como assistente social e liderança política?

Marina do MST: O exemplo dos meus pais e as experiências que vivi me ensinaram, desde cedo, que a política precisa estar a serviço da vida das pessoas. A roça me ensinou o valor do trabalho e da solidariedade; a vivência nas Comunidades Eclesiais de Base e a formação religiosa, quando cheguei a pensar em ser freira, fortaleceram em mim a ideia de que a fé precisa caminhar junto com a justiça social. Essas experiências moldaram a minha atuação como assistente social e como liderança política. Ensinaram-me a ouvir, a estar próxima das pessoas e a olhar para suas necessidades concretas. É isso que levo comigo até hoje: a certeza de que ninguém transforma a realidade sozinho e de que a organização coletiva é o caminho para mudar a vida do nosso povo.

Prestes Filho: O Estado do Rio de Janeiro possui uma das maiores populações urbanas do país, mas também enfrenta forte concentração fundiária e conflitos no campo. Qual é a realidade atual da luta pela terra em regiões estratégicas, como o Norte Fluminense e a Baixada?

Marina do MST: Embora o Rio de Janeiro seja um estado majoritariamente urbano, a luta pela terra continua muito presente, especialmente no Norte Fluminense e na Baixada. Hoje, já existem dezenas de assentamentos e acampamentos da reforma agrária no estado, resultado da organização de milhares de famílias que seguem lutando pelo direito à terra e para produzir alimentos. Um dos maiores símbolos dessa luta é o Assentamento Cícero Guedes, em Campos dos Goytacazes.

Ocupação do MST em Campos dos Goytacazes

"As terras da antiga Usina Cambahyba, cujos fornos foram utilizados durante a ditadura militar para incinerar os corpos de opositores políticos mortos pela repressão, hoje são destinadas à reforma agrária, onde famílias produzem alimentos e constroem uma nova história. Essa é a força da luta pela terra no Rio de Janeiro.”

Prestes Filho: A conquista de territórios históricos como as terras da antiga Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, representa um marco para a reforma agrária. Qual é o impacto simbólico e produtivo dessa vitória na produção de alimentos saudáveis para o povo fluminense?

Marina do MST: A conquista dessas terras tem um impacto profundo, tanto simbólico quanto produtivo. Simbólico porque transforma um território marcado pela exploração dos trabalhadores, pela concentração da terra e pela violência da ditadura em um espaço de vida, trabalho e dignidade. E é também uma vitória concreta.

Marina do MST em ação

"A reforma agrária vai muito além do acesso à terra: ela permite que famílias trabalhem, produzam alimentos saudáveis e contribuam para abastecer o nosso povo. Onde antes havia concentração de terras e monocultura, hoje podemos produzir alimentos para o povo fluminense. É essa transformação que a reforma agrária promove: terra para quem trabalha, comida saudável na mesa e dignidade para quem produz.

Prestes Filho: Como o MST lida com a pressão da especulação imobiliária, o avanço do agronegócio e a ingerência do crime organizado/milícias sobre os territórios rurais e periféricos no estado do Rio?

Marina do MST: O MST sempre parte de uma compreensão muito simples: cada território tem sua própria história, seus próprios sujeitos e suas próprias formas de organização. Não chegamos para substituir a luta de ninguém. Nós nos somamos às comunidades e aos povos que já estão organizados e resistindo em defesa de seus territórios.

Marina do MST em ação

"Na Costa Verde, por exemplo, temos atuado junto ao Fórum de Comunidades Tradicionais e ao vereador e presidente da Câmara de Paraty, Vaguinho de São Gonçalo, na defesa dos povos tradicionais contra a especulação imobiliária que ameaça o modo de vida e a permanência das famílias caiçaras, indígenas e quilombolas em seus territórios. A mesma lógica vale para outros desafios, como o avanço do agronegócio e a atuação de grupos criminosos e milícias: é preciso fortalecer a organização popular e construir, junto com quem vive em cada território, formas de resistência e de defesa de seus direitos. A luta pela terra não pode ser separada da luta pela moradia, pelo território, pela preservação ambiental e pelo direito de cada povo continuar vivendo onde sempre construiu sua história.”

Prestes Filho: Diante das transformações do capitalismo financeirizado contemporâneo, como a senhora analisa a viabilidade e os caminhos estratégicos para a construção de uma sociedade socialista no Brasil hoje?

Marina do MST: Eu acredito que o socialismo continua sendo um horizonte necessário para quem quer enfrentar as desigualdades produzidas pelo capitalismo. Mas não existe uma fórmula pronta nem um modelo que possa simplesmente ser copiado. O socialismo precisa ser construído a partir da realidade brasileira, da organização do nosso povo e das nossas lutas concretas. Diante de um capitalismo cada vez mais financeirizado, que concentra riqueza e transforma até direitos básicos em mercadoria, o nosso desafio é fortalecer as organizações populares e construir alternativas concretas. É a luta por terra, comida, trabalho, moradia, educação, saúde e direitos que cria as condições para uma transformação mais profunda da sociedade.

Marina do MST e Lula

"Eu acredito que o caminho para o socialismo passa, necessariamente, por mais democracia, participação popular e organização da classe trabalhadora. É preciso disputar as instituições, mas também fortalecer o poder popular nos territórios. Uma sociedade socialista não será construída por decreto: será resultado de um processo coletivo, protagonizado pelo povo brasileiro.

Prestes Filho: De que forma as pautas históricas da reforma agrária popular, da agroecologia e da soberania alimentar se conectam diretamente com o projeto socialista em pleno século XXI?

Marina do MST: Essas pautas estão diretamente ligadas ao projeto de uma sociedade socialista porque colocam no centro da discussão algo fundamental: quem produz, o que produz e para quem produz. A reforma agrária popular enfrenta a concentração da terra e coloca esse território a serviço da produção de alimentos e da vida. A agroecologia propõe um modelo de produção que respeita a natureza e não transforma o alimento em mercadoria acima de tudo. E a soberania alimentar significa que um povo precisa ter o direito de decidir como produzir e acessar sua própria comida. Para mim, isso é parte de um projeto de sociedade em que a terra, a água e os alimentos sejam tratados como direitos, e não como instrumentos de lucro. No século XXI, construir o socialismo também passa por garantir que o povo tenha controle sobre aquilo que é essencial para a sua própria sobrevivência.

Prestes Filho: Qual é a sua avaliação sobre a histórica ingerência dos Estados Unidos na América Latina e de que modo a busca por soberania nacional se articula com a solidariedade internacionalista dos movimentos camponeses, como a Via Campesina?

Marina do MST: A América Latina tem uma história marcada pela ingerência dos Estados Unidos, que, durante décadas, buscaram controlar nossos territórios, nossos recursos e os rumos políticos dos nossos países. Isso sempre esteve ligado à defesa de interesses econômicos e geopolíticos, muitas vezes em oposição à soberania e à autodeterminação dos povos. Por isso, defender a soberania nacional não significa fechar-se para o mundo. Pelo contrário: significa fortalecer a solidariedade entre os povos.

"A experiência de Cuba é muito simbólica nesse sentido. Mesmo sofrendo décadas de bloqueio e pressão, Cuba também construiu uma tradição de solidariedade internacional, enviando médicos, conhecimento e ajuda para outros povos. Para nós, a solidariedade precisa ser uma via de mão dupla: defendemos a soberania dos povos e, ao mesmo tempo, construímos alianças internacionais para enfrentar as desigualdades e o imperialismo.

Prestes Filho: Diante das constantes oscilações e mudanças nos cenários políticos regionais — como na Argentina, no Chile, na Colômbia e no Peru —, qual é a sua análise sobre o impacto do contexto político sul-americano na integração dos povos e no avanço das pautas populares?

Marina do MST: A América Latina vive um período de muita disputa política. As mudanças de governo e as oscilações entre projetos progressistas e de extrema direita mostram que não existe um caminho definido: há uma disputa permanente sobre qual projeto de sociedade queremos construir em nosso continente. Para nós, isso reforça a importância de fortalecer a integração dos povos, e não apenas a integração entre governos ou entre mercados. Os povos latino-americanos compartilham problemas muito semelhantes: a fome, a desigualdade, a concentração de terra, a crise climática, a precarização do trabalho e a pressão de grandes interesses econômicos sobre nossos territórios. Por isso, as pautas populares precisam ultrapassar as fronteiras nacionais. A defesa da soberania alimentar, da agricultura familiar e camponesa, dos direitos das mulheres, da justiça climática e da democracia é uma agenda comum dos povos da América Latina.

Prestes Filho: O avanço do extremismo de direita e do neofascismo é um fenômeno global que encontrou terreno fértil no Brasil e de maneira expressiva no estado do Rio de Janeiro. Como a senhora diagnostica as raízes desse avanço?

Marina do MST: O avanço da extrema direita e do neofascismo não acontece por acaso. Ele encontra terreno fértil onde existe desesperança, desigualdade, abandono dos territórios e uma população que deixou de acreditar que a política é capaz de transformar sua vida. No Rio de Janeiro, isso é muito evidente. Durante anos, o estado foi conduzido por grupos políticos que transformaram a máquina pública em instrumento de poder e deixaram de enfrentar problemas estruturais. Temos um estado que possui enormes riquezas, uma das maiores economias do país e uma importância estratégica para o Brasil, mas que convive com fome, precarização do trabalho, falta de acesso a direitos e abandono de territórios inteiros.

"Quando o Estado não chega para garantir direitos, alguém ocupa esse espaço. E, muitas vezes, o que chega é o discurso de ódio, o autoritarismo e a promessa de uma solução fácil para problemas que são muito mais complexos. É assim que o medo e a insegurança podem ser instrumentalizados politicamente.”

Prestes Filho: No dia a dia da Alerj e nas ruas, de que maneira as forças progressistas e os movimentos populares devem agir, no plano institucional e social, para combater eficazmente a ideologia fascista e defender as liberdades democráticas?

Marina do MST: Não basta denunciar o fascismo. Precisamos apresentar soluções concretas para os problemas que afetam a vida das pessoas. A democracia precisa ser defendida mostrando, na prática, que ela é capaz de garantir direitos e melhorar a vida da população. Na Alerj, isso significa disputar orçamento, fiscalizar o governo e construir políticas públicas para enfrentar a fome, garantir moradia, água e saneamento, fortalecer a agricultura familiar, valorizar os servidores e ampliar os direitos das mulheres. Nas ruas, precisamos fortalecer a organização popular e estar cada vez mais próximos dos territórios, ouvindo as pessoas e construindo respostas junto com elas.

Prestes Filho: Qual deve ser o papel das mulheres, das trabalhadoras negras e dos movimentos do campo e das periferias na linha de frente do enfrentamento às agendas reacionárias no país?

Marina do MST: As mulheres, as trabalhadoras negras, os movimentos do campo e das periferias precisam estar no centro da construção de um projeto popular para o Brasil. São justamente esses setores que mais sentem os efeitos da desigualdade, mas também são aqueles que constroem, todos os dias, alternativas e formas de organização para transformar essa realidade. Por isso, precisamos ampliar sua participação nos espaços de decisão e reconhecer que suas experiências e conhecimentos são fundamentais para a construção de políticas públicas. O enfrentamento às agendas reacionárias não pode ser apenas uma disputa de discurso ou eleitoral.

Marina do MST em campanha

"Precisamos construir alternativas concretas para a vida das pessoas, combatendo a fome, fortalecendo a agricultura familiar, garantindo trabalho e renda, defendendo os direitos das mulheres e ampliando o acesso à moradia, à saúde e à educação.”

Prestes Filho: Como presidente da Comissão de Segurança Alimentar e deputada, quais são suas prioridades de mandato na Alerj em relação ao fortalecimento da agricultura familiar e ao combate à fome no estado?

Marina do MST: Como presidente da Comissão de Segurança Alimentar, uma das minhas prioridades é fortalecer a agricultura familiar e garantir que o alimento produzido no nosso estado chegue à mesa da população. Para isso, precisamos investir em agroecologia, fortalecer a Emater-Rio, a Pesagro e a Fiperj e ampliar as feiras e os canais de comercialização da agricultura familiar. Também queremos aumentar a compra de alimentos da agricultura familiar para a alimentação escolar, chegando a pelo menos 45% dos recursos destinados à merenda. E defender o fortalecimento da pesca artesanal, com mais crédito, assistência técnica e infraestrutura para os pescadores e pescadoras.

"No combate à fome, queremos transformar a segurança alimentar em uma política permanente do Estado. Isso passa pelo fortalecimento das cozinhas solidárias, com financiamento contínuo, pela ampliação dos Restaurantes do Povo e pela destinação de mais recursos para as políticas de combate à fome. A nossa proposta é articular produção, distribuição e acesso à comida de qualidade. O Rio de Janeiro tem capacidade de produzir muito mais alimentos, e precisamos colocar essa estrutura a serviço do direito à alimentação e da população que mais precisa.”

Prestes Filho: Quais projetos e proposições legislativas do seu mandato a senhora destaca na defesa dos direitos das mulheres camponesas, da justiça climática e da erradicação do trabalho análogo à escravidão no Rio

Marina do MST: Na defesa das mulheres camponesas, destaco a Lei 10.034/2023, que criou o Dia Estadual da Mulher Camponesa, e a Lei 10.070/2023, que instituiu a Política de Valorização da Mulher no Campo. São iniciativas que reconhecem o papel das mulheres na agricultura e na produção de alimentos e ajudam a fortalecer seus direitos e sua autonomia. No enfrentamento ao trabalho análogo à escravidão, apresentamos a proposta que resultou na Lei 10.575/2024, que autoriza iniciativas de acolhimento institucional para as vítimas. Também aprovamos a Lei 10.883/2025, que autoriza a criação de um banco de dados estadual sobre esses casos, e a Lei 10.950/2025, que cria uma política de reinserção das vítimas no mercado de trabalho. A ideia é combater a exploração e garantir que essas pessoas tenham condições de reconstruir suas vidas. Na agenda da justiça climática, destaco a Lei 10.784/2025, que fortalece a Política Estadual de Educação Ambiental, a Lei 10.789/2025, que institui o Polo Agroecológico e de Produção Orgânica no Médio Paraíba do Sul, e a Lei 10.925/2025, que cria as Cozinhas Solidárias Emergenciais para atender populações afetadas por eventos climáticos extremos.

Prestes Filho: É possível promover uma renovação política profunda nas estruturas da Alerj mantendo a coerência ideológica sem ceder aos vícios tradicionais do fisiologismo da política fluminense?

Marina do MST: Sim. É possível construir diálogo dentro da Alerj sem abrir mão de princípios. Um mandato pode conversar com diferentes forças políticas e construir acordos em torno de propostas que melhorem a vida da população, mas sem trocar convicções por interesses particulares ou acordos de ocasião. Para mim, renovação política não significa apenas mudar os nomes que ocupam as cadeiras da Alerj. Significa mudar a forma de fazer política, com mais transparência, participação popular e compromisso com os territórios. O mandato precisa prestar contas à população e manter coerência entre aquilo que defende nas ruas e aquilo que faz dentro da instituição

Luiz Carlos Prestes Filho é jornalista