Fidel Castro 100 anos na ABI

Fidel Castro 100 anos na ABI

Fidel Castro 100 anos na ABI

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Por Luiz Carlos Prestes Filho

Exclusivo Catetear Notícias


No auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio de Janeiro, foi celebrado o centenário de nascimento do líder revolucionário cubano, Fidel Castro. Abrindo a noite, o presidente da entidade, Octavio Costa, resgatou o peso simbólico do recinto: afirmou ser uma honra abrigar aquele ato. Lembrou, com emoção, que o próprio comandante pisara aquele chão em uma de suas passagens pelo Brasil.

Octaávio Costa em ato em homenagam aos 100 anos de Fidel Castro


No ambiente carregado de história, o embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Manuel Cairo Palomo, tomou a palavra. Sua fala, proferida em um evento organizado em parceria com a Casa da América Latina (CAL) e a Associação Cultural José Martí, não foi um mero exercício de saudosismo, mas um inflamado manifesto de resistência soberana, integração regional e combate às pressões geopolíticas que ainda cercam a ilha e o continente.

"Logo no início de seu pronunciamento, o embaixador Víctor Manuel Cairo Palomo fez questão de vincular o presente ao legado ético da Revolução, assegurando o compromisso social das recentes reformas no país: "As medidas não são só economicistas. São medidas também que incluem temas sociais, como atenção aos vulneráveis, salário. O socialismo cubano não deixará ninguém para trás e sempre terá como característica seu profundo humanismo que Fidel nos legou."”

O embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Manuel Cairo Palomo durante seu pronunciamento na ABI


Na leitura do diplomata, as sanções e cercos impostos a Cuba não representam um fato isolado, mas o sintoma de uma ofensiva maior contra a autonomia de toda a América Latina e do Caribe, alimentada pela reativação de velhas doutrinas conservadoras em Washington: "A agressão contra Cuba faz parte da agressão contra os povos da América Latina e o Caribe. O uso da força para impor interesses constitui uma ameaça à paz e coloca em risco o conceito de soberania de nossas nações." Alertou que a região enfrenta "uma estratégia que divide nossas repúblicas e enfraquece a integração com o objetivo de escravizar nossas sociedades." Para dar densidade histórica à resistência, Cairo Palomo evocou a lucidez de Simón Bolívar — “Os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a assolar a América com miséria em nome da liberdade” — e o chamado poético e urgente de José Martí: “já não podemos ser o povo de folhas que vive no ar deveremos marchar bem unidos como a prata nas raízes dos Andes”.

"Ao analisar a conjuntura internacional, o embaixador repudiou o recente enfraquecimento de laços diplomáticos movido por alinhamentos automáticos a pressões externas, lembrando que a fraternidade entre os povos é mais profunda que as oscilações dos governos: "Agora parece que está de moda expulsar diplomáticos cubanos. E os vínculos dos povos não se rompem. Os vínculos de nossos países não se podem romper por decisões políticas. E Cuba fica aqui e ficará sempre ao lado dos povos pobres do mundo."

Atualizando a célebre "batalha de ideias" teorizada por Fidel para a era dos algoritmos e do controle digital, o diplomata conectou a luta de classes tradicional aos novos contornos do poder corporativo: "a luta de classes continua tendo os mesmos componentes. A batalha continua sendo, como disse Fidel, uma batalha de ideias. Os mecanismos para promover essas ideias nas redes sociais e as Big Techs estão nas mãos daqueles que controlam nossas economias..."

Caminhando para o encerramento, o embaixador resgatou a dimensão ecológica do pensamento castrista, advertindo contra a ilusão de um crescimento predatório: "se continuamos a promover um modelo econômico que implique maior exploração de nossos recursos estaremos no caminho do desaparecimento de nossa espécie." E, em um apelo final que comoveu a plateia, reafirmou a disposição irrevogável de seu país em defender sua autodeterminação: "Amigas e amigos, o centenário de Fidel é um momento muito especial para denunciar que o imperialismo é o principal obstáculo ao desenvolvimento de nossas nações. Lutaremos. Vamos a lutar até a morte, porque a maioria do povo cubano lutará por sua independência e por sua soberania."

Luiz Carlos Prestes Filho é jornalista