Ivana Andrés: Artes Plásticas e Teatro
Ivana Adrés: Meu projeto é dar continuidade ao fazer artístico de mãos dadas com o fazer teatral.
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Entrevista Ivana Adrés
Por Luiz Carlos Prestes Filho
Exclusivo Catetear Notícias
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Em entrevista ao Catetear Notícias, a artista plástica e atriz Ivana Andrés, radicada em Belo Horizonte, nos guia por uma reflexão sobre o fazer artístico e a integração profunda entre as artes visuais e os palcos. Filha da prestigiada artista Maria Helena Andrés, Ivana carrega um legado. Sua trajetória nas artes plásticas é marcada pelo desenho figurativo atento às questões humanas, percorrendo desde os retratos da população vulnerável nas séries "Viajantes" e "Mendigos", até o olhar para a fauna e flora brasileiras e o universo feminino na série "Mulheres". No entanto, é no encontro com o teatro que sua obra ganha uma dimensão cênica e expressiva. A aproximação com as artes cênicas iniciou-se nos bastidores, através da confecção de bonecos no grupo "Giramundo", além do desenvolvimento de cenografias e adereços para diversas montagens teatrais. Com o tempo, a vivência nos bastidores transbordou para a interpretação e resultou na presença da própria artista no palco. Ivana uniu seu trabalho nas artes plásticas à atuação ao passar a pintar e desenhar "em cena". Essa experiência pioneira consolidou-se em produções marcantes, a começar pelo monólogo Camille Claudel, no qual a artista interpretava, cantava, desenhava e esculpia ao vivo diante dos olhos do espectador. A união das duas linguagens ganhou novos contornos na peça "A rua do povo da rua", de Luiz Paixão, onde Ivana incorporou desenhos em tamanho natural das personagens.

Fragmentos da série "Mendigos" de Ivana Adrés
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"Para Ivana Andrés, a criação plástica ao vivo em um espetáculo desmistifica o fazer artístico, revelando o processo de concepção visual para a plateia e potencializando o poder de comunicação do teatro. Além das artes cênicas e da pintura, a artista também transita pela música e pela escrita poética, como exemplifica o recente lançamento do livro "Xeque Mate". Diante de transformações no mercado das artes plásticas, o grande projeto atual de Ivana é dar continuidade a essa simbiose, levando ao público o encantamento de ver a arte surgir viva, no ritmo do espetáculo. Sua jornada celebra a convergência artística e reafirma o papel emancipador da cultura e da imaginação humana.” |
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Luiz Carlos Prestes Filho: Teatro e artes plásticas, como essas duas expressões artísticas se unem na obra do dramaturgo e diretor de teatro mineiro, Luiz Paixão?
Ivana Andrés: Todo e qualquer ser humano carrega dentro de si um manancial de recursos pessoais que constituem ao longo de sua vida seu potencial de dons e talentos expressos em tudo o que ele realiza, sejam trabalhos, ações diversas ou relacionamentos. Esse conjunto de recursos acham- se interligados formando a essência própria de cada pessoa. Quando integrados de forma harmoniosa, assumem um poder de transformação amplificado, um círculo virtuoso que se auto reproduz. A união de 2 artes, o teatro e as artes plásticas, na obra cênica de Luiz Paixão é um testemunho do poder de comunicação que essas 2 artes adquirem quando colocadas juntas no espaço cênico. Não é comum ver um ator ou atriz desenhando ou pintando " em cena" figuras que estão vivenciando seus dramas diante do público. Principalmente quando estão sendo retratadas dramaticamente, no ápice de seus conflitos e dificuldades de vida.

Fragmentos de desenhos de Ivana Adrés para a peça "A Rua é do Povo" de Luiz Paixão
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"A peça 'A rua do povo da rua' de autoria de Luiz Paixão, um recorte do sofrimento das pessoas em situação de rua na época da pandemia de Covid 19, ganhou uma dimensão nova e surpreendente com a inclusão de desenhos em tamanho natural dos diversos personagens. Uma arte empondera a outra, agrega valor e torna o espetáculo teatral também um espetáculo do fazer artístico, de como um artista plástico trabalha. Amplifica também o poder transformador que qualquer arte possui diante de um público muitas vezes alienado. Afinal, as artes são irmãs e todas elas jorram de uma mesma fonte, o nosso manancial de recursos, guardados na nossa parte essencial.” |
Prestes Filho: Como voce vê o efêmero no teatro e nas artes plásticas?
Ivana Andrés: Sabemos que tudo passa, tudo é efêmero. A vida flui em círculos determinados por condições socio históricas vivenciadas pelos diversos povos das diversas nações. Atualmente, com o avanço das comunicações, o efêmero é tão rápido e atinge tantos em tão pouco tempo, que poderíamos dizer com propriedade a frase poética: " um bater de asas de uma borboleta no Brasil, pode, num curto espaço de tempo, causar um tsunami no Japão "...
Prestes Filho: Mas, afinal, como acontece o efêmero no Teatro e nas Artes Plásticas?
Ivana Andrés: O teatro guarda a expressão de diversas áreas artísticas. Nele encontram-se de forma integrada a literatura na dramaturgia, as artes plásticas na cenografia e figurinos, a música na trilha sonora, além do seu foco principal a construção do personagem na arte de atuar. Talvez seja também devido a isso o seu grande poder de transformação. O teatro guarda em sua história momentos de grande poder transformador. Como se fosse um dedo apontando de forma crítica e criativa os erros e retrocessos de uma sociedade, ou como uma arma que oferece ao público uma oportunidade ou um caminho para a sua emancipação. Talvez devido a isso, tenha sofrido, em tempos de retrocessos, tantas censuras e perseguições. É, além disso uma arte coletiva, que só consegue sobreviver em grupos coesos trabalhando em torno de propósitos comuns.
Durante o ensaio da peça "A Rua do Povo da Rua". Da esquerda para a direita: Thiago de Nazaré, Luciano Luppi, Ivana Andrés, Luiz Paixão, Mariana Bizzotto, Arthur Bello, Isabella Saibert, Ângela Maria e Alessandra Salomão
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"As artes plásticas seguem caminhos diferentes. Como a literatura, é uma arte não coletiva que, em geral reflete o pensamento ou sentimento de um indivíduo, neste caso, o artista plástico ou o escritor. O efêmero nas artes plásticas se reflete nas diversas rupturas que a obra de um artista sofre ao longo de sua trajetória. São identificadas então as suas fases ou suas séries e os momentos de transformação que a sua obra sofre, as chamadas " rupturas". Obedecem muitas vezes às mudanças ocorridas na própria vida do artista. Podem também acontecer em momentos que o artista plástico se associa a outros, integrando movimentos. Exemplo disso são os vários " ismos" (impressionismo, expressionismo, dadaismo, surrealismo, concretismo, etc) que aconteceram nas primeiras décadas do século passado.” |
Prestes Filho: Quais experiências você viveu no campo do efêmero das artes plásticas?
Ivana Andrés: Na minha trajetória há um fio condutor extremamente forte: a minha preocupação em testemunhar em imagens a vida de seres humanos e as interações entre eles. Há um foco na vida e interação das camadas sociais mais pobres e vulneráveis (série " Viajantes" e "Mendigos") e depois a série " Mulheres", que coincide com movimentos feministas dos anos 80 (além de experiências como cantora da MPB, inicialmente em bares e depois, por décadas com o grupo " Voz e Poesia "). Sempre fui uma artista figurativa e, nos anos 90 realizei exposições que documentaram Unidades de Conservação Brasileiras, sua fauna, flora e paisagens. Daí surgiu a série "Peixes" e "Borboletas ". Existiram também outras experiências, nascidas da interface artes plásticas/ teatro. A primeira delas foi um estágio de 2 anos no Grupo Giramundo Teatro de bonecos. Daí surgiram outras: a cenografia e adereços para diversas montagens teatrais.

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"Enfim, a minha trajetória no teatro começou nos bastidores para desembocar no palco. Começou na interface artes plásticas/ teatro através da cenografia e adereços até me ver como uma atriz. E, em alguns casos especiais e extremamente prazerosos, uma atriz que desenha ou pinta durante o espetáculo, que faz artes plásticas " em cena ". A primeira e mais marcante delas foi o monólogo " Camille Claudel " onde eu atuava, cantava, desenhava e esculpia " em cena".” |
Prestes Filho: Este seu interesse pelo teatro tem relação com a trajetória artística de sua mãe?
Ivana Andrés: A relação que vejo entre a trajetória artistica da minha mãe e o meu interesse pelo teatro, acha-se ligado de forma mais contundente na própria personalidade dela: um profundo respeito pelas escolhas do outro e um grande amor por todas as formas artísticas. Ela sempre nos levou a ver e apreciar exposições, filmes, peças teatrais, concertos e sobretudo a ler. O hábito da leitura era incentivado na nossa casa e era muito importante para todos nós. Aliás era também um fator importante para a nossa geração e outras que nos antecederam.

Cena da peça teatral "Mulheres Antropofágicas" sobre Tarsila do Amaral e Anita Malfati
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"O teatro surgiu com força na minha vida sob a influência do meu grande companheiro de vida e de trabalho, que é, há mais de 30 anos, o Luciano Luppi.” |
Prestes Filho: Conte um pouco sobre sua mãe e as obras dela que influenciaram o caminho que você escolheu.
Ivana Andrés: Devo dizer que, sendo filha de uma artista plástica sempre atuante, com livros publicados sobre arte e estética e uma postura exemplar e ética diante do mercado de arte, como filha da Maria Helena Andrés, vi e experimentei as transformações na trajetória artistica da minha mãe. Posso dizer que todas as fases da obra da minha mãe me influenciaram, desde a sua fase figurativa quando aluna de Guignard, até a sua fase mais recente como escultora inspirada em pinturas e desenhos neo concretistas dos anos 50. A partir daquela época, ela partiu para uma abstração com conteúdo lírico nas fases de "Barcos", " Espacial" e "Mandalas ".Como artista que vive o seu tempo, testemunhou na fase de " Guerra" os sofrimentos e perseguições da época sombria da ditadura militar no Brasil. Como pensadora e espiritualista, estudou a filosofia de pensadores ocidentais e orientais, tendo realizado publicações sobre estudos comparativos entre Brasil e Índia. Entre as diversas viagens que realizou, há o destaque para as 14 viagens para a Índia. Fui sua acompanhante em 2 dessas viagens e tudo isso forma um mosaico positivo de boas influências.

Série "Mulheres" de Ivana Adrés
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"Atualmente, com quase 104 anos de idade, minha mãe continua desenhando e pintando compulsivamente. Sua última exposição aconteceu no dia do seu último aniversário. Um sucesso, de crítica e de público. É todo este exemplo que influenciou o caminho por mim escolhido.” |
Prestes Filho: Qual seu método de trabalho? Quais materiais são usados por você na realização das obras?
Ivana Andrés: Durante a minha trajetória, iniciada nos anos 70, experimentei diversas formas de expressão artística ( gravura, pintura e escultura), todas elas baseadas no desenho. Como bem enfatizava o mestre Guignard, o desenho é a base de toda a expressão artística. O desenho da figura humana sempre me fascinou e, durante anos eu frequentava a rodoviária de Belo Horizonte, não para viajar, mas para, em pequenos blocos, desenhar as pessoas que, quase imóveis, as vezes cochilando, serviam de modelo para mim. Daí surgiu a minha primeira série que denominei "Viajantes". Eram pessoas pobres com suas malas e sacolas. Parti depois para desenhar pessoas em situação de rua e desses estudos saiu a série que denominei "Mendigos ". Como cenário para esses trabalhos, frequentei " ferros velhos" e desenhei ao vivo todo aquele amontoado de objetos descartados. Seguindo a orientação de Guignard, sempre dei preferência a desenhar diretamente a partir do modelo ao vivo e não a partir de fotografias. Anos depois, coincidindo com minhas experiências como cantora da MPB em bares e restaurantes e mais tarde, no grupo Voz e Poesia, parti para desenhar a figura da mulher. A série "Mulheres " que faço até hoje é de todas elas aquela que mais me projetou como artista plástica, me levando a fazer exposições em várias cidades no Brasil e em algumas ocasiões, também no exterior.

Ivana Adrés: Arte e o Meio Ambiente
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"Nos anos 90, parti para desenhos que documentaram Unidades de Conservação brasileiras. Visitamos, eu e meu grande companheiro, Luciano Luppi, Unidades de Conservação fotografando e anotando em blocos de papel a fauna, flora e paisagens desses verdadeiros paraísos brasileiros. Muitas exposições foram realizadas depois nas sedes dessas Unidades de Conservação.” |
Prestes Filho: Como você vê as artes no Brasil de hoje? Poderia citar nomes de artistas vivos pelos quais você tem admiração?
Ivana Andrés: Esta pergunta é difícil para mim. Estou afastada das artes plásticas, não por vontade própria, mas devido a mudanças que aconteceram no mercado de artes e que, infelizmente atingiram o artista. Vou então tentar explicar abaixo os motivos que me levaram a este afastamento. Resta dizer que é uma opinião pessoal. Todo artista depende em alguma medida de intermediários que o ajudam a veicular a sua obra junto ao público. São eles os "marchands", colecionadores ou galeristas. Sempre existiu também a figura do crítico de arte cuja função era explicar e atualizar o público acerca dos vários movimentos, com suas várias "rupturas ". De uns anos para cá surgiu a figura do curador, que seleciona artistas para exposições específicas. O curador, de certa forma, retirou a autonomia do artista e tornou a função do crítico de arte quase desnecessária. Atualmente vemos muitas vezes curadores se associarem a galeristas e colecionadores visando a valorização, não de artistas, mas de suas próprias coleções, valorização, que focaliza o lado financeiro, muitas vezes em detrimento do lado cultural. A interface do curador junto a marchands, galeristas e colecionadores tirou, de certa forma a autonomia do artista, que torna-se dependente de escolhas de um agente com preferências próprias.

Livro "Xeque-Mate" de Ivana Adrés
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"Percebo também o desaparecimento dos Salões de Arte, quando o artista tinha o estímulo e a autonomia para apresentar seus trabalhos a um júri que lhe dava um retorno de forma pública e transparente. Essas considerações me levaram a ir me afastando das artes plásticas e me aproximando de outras artes. Além do teatro e da música ( como cantora e letrista), iniciei na época da pandemia a escrita poética. Estou lançando em 20 de junho próximo o meu primeiro livro de poemas, com o título "Xeque mate". Irá acontecer num sábado às 11hs da manhã no Asa de Papel Café &Arte, em Belo Horizonte. Desde já estão convidados.” |
Prestes Filho: Quais projetos estão em andamento?
Ivana Andrés: Meu grande projeto é dar continuidade a esse "fazer artístico " de mãos dadas com o "fazer teatral". A desenhar ou pintar " em cena", trazendo para os olhos do público o meu processo de trabalho desenvolvido por décadas nas artes plásticas. A resposta do público tem sido extremamente positiva. Ele vê acontecendo diante dos seus olhos o desenrolar de um trabalho artístico que não é uma projeção virtual. É uma pessoa fazendo surgir figuras do papel, ao vivo e à cores. É uma espécie de encantamento que o estimula a fazer despertar seus próprios dons e aptidões artísticas. São tantas pessoas que dariam tudo para estarem lá, naquele palco atuando ou fazendo desenhos! Porque sabem que, todo ser humano, guarda um artista dentro de si...
Prestes Filho: Por favor, um conselho para os jovens artistas que estão começando.
Ivana Andrés: Todos nós sabemos o quanto as redes sociais são importantes ferramentas para a democratização da informação e da divulgação de criações, as mais diversas. A possibilidade do próprio autor poder divulgar a sua obra de forma independente abriu portas e serviu de estímulo à criação mas também a linguagens empobrecidas. Grupos, muitas vezes de jovens, se fecham em grupos ou "bolhas" sob a influência de algoritmos. Muitos deixam o hábito da leitura e da escrita e se satisfazem com trocas de mensagens numa língua que se empobrece a cada dia. É necessário estimular a retomada da escrita e da leitura, se quisermos ter uma visão crítica, emancipada e transformadora da vida. Urge estimular a imaginação através da fruição de bons livros de bons filmes e de boas mostras de artes plásticas

Ivana Adrés e sua arte
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"É necessário e urgente estimular a criatividade em todos os sentidos e em todas as áreas do conhecimento. Para que ocorram mudanças significativas é necessário que recriemos a nossa realidade interior e exterior a cada momento. Que, a todo momento possamos redefinir nossos propósitos e valores e, de forma responsável, sermos bússola para outros. A tarefa é descomunal e desafiadora. Poderemos então ser como centros cuja circunferência se alarga e se alastra em círculos virtuosos podendo alcançar todo o planeta. Para missões como esta existem as redes sociais: difundir valores humanísticos.” |
Prestes Filho: Planeja exposições para os próximos anos?
Ivana Andrés: Não. Já fiz várias exposições numa época em que a figuração era mais estimulada e valorizada. Principalmente a figuração que servia também de uma denúncia de desigualdades sociais. Esta época existiu e eu ainda vivenciei os seus últimos anos. O apogeu dessa época aconteceu no Brasil na primeira metade do século passado e seus expoentes mais representativos foram Di Cavalcanti e Portinari.
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Luiz Carlos Prestes Filho é diretor de filmes documentários pelo Instituto Estatal de Cinema da União Soviética; Especialista em Economia da Cultura e em Desenvolvimento Econômico Local; é autor dos livros "Economia da Cultura - a força da indústria cultural do Rio de Janeiro", "Cadeia Produtiva da Economia da Música" e "Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval"



