A Menina que Venceu o Silêncio
Uma história de coragem, silêncio e transformação

A Menina que Venceu o Silêncio
Por Luiz Carlos Prestes Filho
Exclusivo para o Catetear Notícias
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Ler "A Menina que não falava" e "A Menina que não falava e hoje não para de falar" foi muito mais do que uma simples leitura. Preciso confessar minha ignorância inicial: eu não fazia ideia do que era o Mutismo Seletivo. No entanto, à medida que avançava pelas páginas, rostos do passado começaram a surgir na minha mente: colegas do ensino fundamental que nunca abriam a boca, aquele amigo da universidade que todos chamavam de "estranho" e até mesmo parentes próximos cujos silêncios eu sempre interpretei de forma equivocada.
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"Como sou formado em direção e roteiro de cinema, minha percepção é inevitavelmente visual. Ao ler as obras de Francilene Torraca — lembrando que o primeiro livro conta com a coautoria de Natasha Ganem — não consegui enxergar apenas palavras, mas sim duas obras cinematográficas. A narrativa é tão vívida que os enquadramentos e o ritmo dramático pareciam saltar do papel.” |
Ilustração do livro: Isabela Dantas
Os livros nos conduzem pela jornada de uma criança que, embora consiga falar normalmente em ambientes seguros e com pessoas de confiança, se vê paralisada pelo silêncio em contextos sociais ou escolares. É um mergulho na angústia dessa barreira invisível, mostrando o impacto do diagnóstico correto (ou da falta dele) na vida de quem vive sob essa redoma de silêncio.
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"Ambos os livros são extremamente leves e objetivos, o que torna a absorção do conteúdo fluida. Na minha visão, essa leitura deveria ser obrigatória em maternidades, creches e escolas. Professores, profissionais de saúde e pais precisam desse conhecimento para não negligenciarem o sofrimento alheio sob o rótulo da "tranquilidade".” |

Ilustração do livro: Felipe Tognoli
O momento de maior impacto para mim foi ler: "Chamaram de timidez um silêncio que dói. No Mutismo Seletivo o calar não é escolha e muito menos um traço da personalidade — é sofrimento." Nesse instante, percebi o quanto desconhecia esta realidade. O que eu via como um simples traço de personalidade era, na verdade, uma dor profunda e não opcional. Precisamos parar de romantizar a "timidez excessiva" e começar a acolher o sofrimento real.

As autoras Francilene Torraca e Natasha Ganem
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"Além do aprendizado humano, as obras cumprem um papel social fundamental: através do livro, o leitor fica devidamente informado sobre a existência da ABMS - Associação Brasileira de Mutismo Seletivo e Ansiedade Infantil.” |
Ilustrações: Isabela Dantas e Felipe Tognoli
Editora: Literare Kids Internacional
Contato: contato@literarebooks.com.br
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LUIZ CARLOS PRESTES FILHO – Cineasta, formado em Direção e Roteiro de Filmes Documentários para Televisão e Cinema pelo Instituto Estatal de Cinema da União Soviética; Especialista em Economia da Cultura e Desenvolvimento Econômico Local; Coordenou estudos sobre a contribuição da Cultura para o PIB do Estado do Rio de Janeiro (2002) e sobre as cadeias produtivas da Economia da Música (2005) e do Carnaval (2009); é autor do livro“O Maior Espetáculo da Terra – 30 anos do Sambódromo” (2015).



