O Passado Escancara a Verdade
O Passado Escancara a Verdade
Texto de Luiz Carlos Prestes Filho
Exclusivo Catetear Notícias
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A História brinca com os conceitos de soberania nacional e patriotismo, muitas vezes trocando os papéis de mocinhos e vilões sob as lentes distorcidas do tempo.
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"No dia 26 de março de 1946, meu pai, Luiz Carlos Prestes, tentava usar a tribuna do Senado Federal para debater a fome do homem do campo, a miséria que assolava os rincões brasileiros e o fortalecimento de uma indústria nacional independente. Mas, em vez de respostas de seus pares sobre o desenvolvimento do país, recebeu um cerco retórico impiedoso. Os opositores, munidos de acusações fáceis, queriam pintá-lo como um traidor, a ponto de afirmar que ele abandonaria o Brasil em caso de uma guerra. Prestes alertou que qualquer conflito armado internacional seria apenas um jogo imperialista no qual o Brasil não deveria se meter.” |

Luiz Carlos Prestes discursa no Senado da República
Bastou isso para que a imprensa e as elites políticas da época afirmassem que sua fala demonstrava "falta de patriotismo" e "submissão aos interesses estrangeiros", embora ele nunca tivesse pisado em gabinetes presidenciais de outro país para pedir que intervissem na nossa soberania nacional.
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"O tempo avançou oito décadas, e o cenário político brasileiro assistiu a um contraste. Em fóruns internacionais e audiências em Washington, um certo senador adotou um comportamento diametralmente oposto àquele que seus aliados historicamente imputavam à esquerda. Longe de defender a independência das instituições e a autodeterminação nacional, o parlamentar buscou palcos norte-americanos para apelar diretamente a líderes e congressistas de uma superpotência estrangeira, pleiteando interferência política sobre os rumos eleitorais e judiciais do Brasil.” |
Onde Prestes insistia em manter o debate focado na reforma agrária, no mercado interno e nos problemas genuinamente nacionais, a nova direita escolheu o caminho da oferta e da submissão. Chegou a oferecer riquezas estratégicas do solo brasileiro, a criticar sistemas de pagamento nacionais consolidados — como o Pix — para favorecer bandeiras de crédito americanas, e a suplicar por sanções e tarifas para constranger a atual gestão do próprio país.
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"A comparação escancara a hipocrisia de um patriotismo de fachada que habita certos discursos políticos. Prestes, que de fato nunca esteve com um presidente estrangeiro para solicitar qualquer tipo de ingerência nos assuntos domésticos brasileiros, foi exilado, perseguido e difamado como o inimigo número um da bandeira nacional por expressar uma posição ideológica. Enquanto isso, aqueles que hoje se dizem os maiores defensores da pátria não hesitam em cruzar a fronteira para pedir que governos de fora exerçam tutela sobre a democracia brasileira, usando o patrimônio tecnológico, os recursos naturais e a própria soberania do país como meras moedas de troca política.” |

Até o fim da vida meu pai defendeu da soberania nacional
Foi a perda do registro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que causou a extinção automática do mandato de senador de meu pai, formalizada em 9 de janeiro de 1948. Mas o argumento de que ele era traidor da Pátria ajudou a justificar, frente à opinião pública, o seu afastamento do parlamento. Nos dias de hoje, aqueles que trabalham para que aconteça uma interferência estrangeira no país, além de não sofrerem o menor risco de perderem seus mandatos, apresentam-se como salvadores da Pátria.
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Luiz Carlos Prestes Filho é jornalista e escritor



