HOUVE SOL, E UM GRANDE SOL
Poema realizado a partir do livro "O Senhor do Labirinto" de Luciana Hidalgo

HOUVE SOL, E UM GRANDE SOL
Poema de Naila Rachid
Imagens: Fragamentos de obras do Bispo do Rosário

houve clarão ,e grande clarão
...um dia eu simplesmente apareci…
quanto de caminho
sob a pétala-que-voa
sentinela na ímã-virada
do mundo sua assinatura
a mais premente
pêndulo sim
almaguiado por sua paisagem
figurata d’um Rio
viandante
de Janeiro da cabeça aos pés
entrefronteiras
pêndulo não
sob o rosto calado
de tal candor
um tormento
escancara
o exílio do exílio
alheio abrigo-casa-forte

prima-obra-viva-desfila
promessas de anjos
...por onde sahi o verbo
estrondo
das trevas à margem
celebrante rumoração
coroado rito d’enleio
e com todas as veras
o ímpeto
destemido este fervor assaz folia
de Reis e Cheganças
faz por dom a paixão
a bendizer
...eu sou o rei dos reis
entretecida Via-Crúcis-Poema-
prodígio de si
num Reino Encantado
cativa ao lume da palavra
no tresvario do sonho
sua capciosa senda
pervigília que obra-trauma
espreita o deslimite
desfiafia-fio-bio des-
bordante grafia
grão feitiço estirando
novelos d”um condão de cor
o Senhor do Labirinto
_sou cheio de cores
em busca d’um Tempo
de todo revento
por lá das curvas
no instante de um olhar
legato este Presente evoca
que diamantino viver
o desafio urge
reconstruindo o mundo
entrefrisante é manto é fardão
tudo aqui é perdido
estandarte e vitrines
tudo aqui é achado
quão muito as verdades asperejam
sob este fadário por demais dádiva
singela cenografia as miniaturas
de todas as coisas rememória
e de todo prece
vozes tantas vezes vozes
trás severas vozes
coisaassim aficionada
a provação no espelho da língua
algo de tal sobressalto faz-de -aura
a luz e a luz lazúli divinação
bem como aquele manto a ousar
todos os nomes de lugares e Marias
e uma Rosa-Musa-Maria-
Anjo-Hosana-nas-alturas
fictivo constelário de infinito
franjado
_ é só pra quem enxerga
… a formosa fina pluma
para além das cismas
engranzado o carme sim
borbotando tudo o que
é ou era ou há-de-ser
somassuma História
Ancestrais
lá deonde um preto de Japaratuba
um rio de muitas voltas
a trespassar
quanto de-
vindo mundo
de tanto desterro sempre
rasgando a pele do risco
a cor mais cortante
Arthur Bispo do Rosário
eis o Cristo redivivo
_Está falando com ele

quanto de capricho
sua maisvida con-
sagra o elogio da Loucura
inda tão cruel lucidez
antechegando
em colorido de gala
o Manto da Apresentação
contrapontista a vermelho
algo assim como seu nome
o finito um beija-flor
como que cantava
a Hora do Deslumbramento
d’um cálice de luzes o presságio
… quando eu subir, os céus se abrirão
e vai recomeçar a contagem do mundo
Vou nessa nave, com esse Manto…
… Vou me apresentar
às paragens da eternidade
Sua Majestade a redenção
eu vou deixa
este Globo
esplendo
concertando
por derradeiro
a fábula decide
… A minha morte se fará
notar no mundo inteiro
sob a face deste céu todo apertura
salteia Oespírito
ó Tempo Rei
de todos os fios o Senhor
e no erguer da asa
LoucoInstante ou a Festa
imanta
o muitíssimo do mundo
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Naila Rachid é poeta



